Confira a resenha de Espiritualidade Subversiva assinada por Philippe Leandro para a Revista Soma:
Espiritualidade Subversiva, o mais recente livro de Eugene
Peterson publicado pela Editora Mundo Cristão vem enriquecer o acervo
existente, e ainda modesto em nossa língua, quanto à denominada
“teologia espiritual”. Suas palavras são esclarecedoras: “A teologia
espiritual é a disciplina e a arte de nos treinar para uma participação
plena e madura na história de Jesus, mas nos impedir ao mesmo tempo de
assumirmos o comando da história” (p.28), “A teologia espiritual
tradicionalmente tem sido oração, formação espiritual, desenvolvimento
do caráter cristão, leitura da Bíblia com propósitos formativos, não
apenas intelectuais” (p.311).
Peterson é um dos raros exemplos de erudição aliada à prática.
Professor emérito do conceituado Regent College, em Vancouver, onde
lecionava – adivinhe – Teologia espiritual, especialista em línguas
semíticas, possui também mais de 29 anos de experiência pastoral à
frente de uma igreja. Apaixonado pela vida, poeta, semimaratonista,
velejador, mesmo após os 70 anos, continua semanalmente percorrendo
suas trilhas nas montanhas e pescando nos rios das regiões rurais de
Montana, onde vive com sua esposa Janice.
Essas vertentes de sua personalidade escoam pelas suas obras, que já
ultrapassaram trinta títulos. Vários foram traduzidos para o Português,
entre eles: A maldição do Cristo genérico, Maravilhosa Bíblia, O
caminho de Jesus e os atalhos da Igreja – formando uma trilogia sobre
teologia espiritual e ainda, O pastor que Deus usa, O pastor
desnecessário, Um pastor segundo o coração de Deus, todos publicados
pela Mundo Cristão. As obras lhe granjearam no Brasil, assim como
ocorreu nos Estados Unidos, a admiração de um público sempre crescente
de teólogos, pastores e cristãos que valorizam a espiritualidade.
Em Espiritualidade Subversiva, os leitores encontrarão
uma compilação de artigos, poemas, estudos bíblicos, leituras pastorais
e entrevistas – raridades, pois Peterson é avesso a elas tanto quanto
aos holofotes – desenvolvidos ao longo da extensa trajetória do autor e
divididos em cinco seções principais. A compreensão radical da mensagem
cristã, a profundidade das reflexões, o estilo pastoral agradável e
fluente, a independência e honestidade intelectuais e, quando
necessário, um fino humor irônico e coragem de ir à contramarcha da
maioria, características apreciadas por seus leitores tanto quanto pela
crítica, perpassam as 315 páginas da obra. Algumas amostras:
“Elifaz era a Shirley MacLaine da antiga Edom” (pg.41).
“A vida cristã consiste naquilo que Deus faz por nós, não no que fazemos por Deus;...” (p.46).
“As pessoas podem pensar corretamente, comportar-se bem e adorar
solenemente, e ainda assim viver mal – viver anemicamente, levar vida
insignificante, insípida, entediada” (p.88).
“A santidade não é uma experiência de sublimação que nos abstrai do
mundo do trabalho; é um convite para entrarmos naquilo que Deus está
fazendo e pretende que se realize no mundo” (p.98).
“Se Apocalipse não for lido como poema, é simplesmente incompreensível” (p.153).
“Meus aliados mais estimados no ministério são aqueles que escrevem romances e poemas” (p.205).
“... ler um romance está entre as atividades mais sérias disponíveis a um pastor” (p.225).
Não faltarão surpresas desse mentor de pastores, que confessa já ter
estado “tão engajado em tocar os programas da igreja que não tinha
tempo para ser pastor” e que depois de um ano de reflexão e
reprogramação, radicalizou e durante 25 anos jamais participou de
reuniões de comitê e da administração da igreja.
A qualidade técnica da diagramação, a fonte Revival e a cor dunas do
papel Chamois tornam a leitura de Espiritualidade Subversiva ainda mais
prazerosa e valorizam a aquisição. (Por Philippe Leandro, Pr.)
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